Ruivas, Louras & Morenas

domingo, 16 de setembro de 2007
Para os menos familiarizados com estas coisas da cerveja, Reinheitsgebot é, quando muito, um palavrão alemão. Mas não, trata-se da designação original da chamada lei da pureza da cerveja, imposta em 1516 pelo Duque Guilherme IV da Baviera, que ilegalizava outros produtos para além da água, cevada e lúpulo (o fermento ainda não era conhecido).
Ora esta lei, principalmente nas últimas décadas, tem sido bastante contestada e atirada ao lixo por inúmeros cervejeiros de todo o mundo. E embora alguns ainda a considerem como a regra sagrada na feitura da cerveja, quase excomungando os “infiéis” que ousem transgredi-la, a verdade é que a lei já não vincula ninguém.
Na minha opinião, trata-se de um fundamentalismo ultrapassado, e, como todos os fundamentalismos, nefasto. Nefasto principalmente, se fosse seguido por todos, no que concerne à evolução do panorama cervejeiro mundial, uma industria que todos os que elegem a cerveja como a “sua bebida”, querem dinâmica, nunca estática e sujeita a confinamentos de qualquer espécie.
Numa entrevista que Marcelo Carneiro, da Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, dá ao Paulo Feijão em seu excelente blog,
à pergunta do Feijão:
Na Pilsen mandioca, na Weiss Mel e na India Pale Ale rapadura, é regionalização, produtos exclusivos ou redução de custos, qual é a grande sacada destas inovações?,
o Marcelo responde exemplarmente:
Boa pergunta, na verdade nos ultimos tempos eu vinha me questionando sobre a lei de Pureza que por mais de 10 anos segui. Não seria ela um limitante, um traquejo cultural germânico. Os belgas e americanos fazem tantas cervejas boas usando açucar, ninguém diz que é economia ou jogada de marketing.
Pois eu acho que podemos fazer uma boa cerveja com a nossa cara usando os nossos produtos e ainda por cima gente do mundo todo gostar, é possível e eu estou tentando fazer
“.
É claro que, à conta destas “liberdades” se têm feito muitos atentados ao paladar, mas a verdade é que, aparentemente cumprindo rigorosamente os preceitos da velha regra, aparecem produto sem quaisquer virtudes que os recomendem.
Não será verdade, que na qualidade dos ingredientes, no cuidado da produção, e principalmente no “amor à arte“ que estará o verdadeiro segredo?




 
posted by Vic at 9/16/2007 12:45:00 da tarde |


6 Comments:


At 17 de setembro de 2007 às 14:04, Blogger Edu Passarelli

Eu também acho que a Lei de Pureza não é sinônimo de boas cervejas. Se bem que, aqui no Brasil, uma lei dessas tiraria muita porcaria do mercado!!!
Abraços

 

At 17 de setembro de 2007 às 16:44, Blogger feijão

Nobres,

Por algum tempo defendi a unhas e dentes a lei de pureza, porém com o passar do tempo, amadurecendo o conhecimento vi que existem muitas cores além do branco e preto.
Mas sendo coerentes, a lei serviu na Alemanha, como uma forma de reinventar diversos estilos como a bock por exemplo com suas várias versões (Dobblebock, eisbock, maibock), a Weiss com a versão Dunkel, weissbock.
Assim como as belgas, utilizando casca de laranja, aveia ou açucar e fazendo cervejas fenomenais.
Ou a própria brasileira com rapadura ou mandioca.
Toda escola tem sua forma e seu jeito de fazer, e cada uma tem seu mérito.

 

At 19 de setembro de 2007 às 03:19, Blogger feijão

Ia me esquecendo, muito obrigado pelo elogio.

 

At 25 de setembro de 2007 às 17:05, Blogger VdeAlmeida

Isso aí eu acredito, Edu :-)
Abraço

 

At 25 de setembro de 2007 às 17:06, Blogger VdeAlmeida

Perfeitamente de acordo, Feijão.
Aliás, nos dias de hoje, uma tal lei seria quase inconcebível.
Além de que ninguém a conseguiria põr em prática.

Abraço (o elogio mais que merecido)

 

At 28 de setembro de 2007 às 13:28, Blogger Juninho

Acabei de conhecer o Blog, e já adicionei entre os favoritos. Bom saber que cada vez mais temos pessoas escrevendo sobre nossa preciosa bebida.

Concordo tambem que a lei de Pureza não é sinonimo de qualidade, apesar de ser fundamental em alguns estilos de cerveja.
Mas limitar a criatividade dos mestres cervejeiros é algo que hoje vejo como prejudicial, e por esse motivo a Belgica e hoje os EUA tem uma diversidade tao grande de boas cervejas.

Abraços a todos