Ruivas, Louras & Morenas

terça-feira, 7 de Julho de 2009
Há coisas que não falham: em questão de apresentar bem um produto, os ingleses nunca falham. Mesmo que o produto não seja nada de extraordinário - e nem é o caso - pelo menos a embalagem é quase sempre irrepreensível.
As cervejas da St. Peters chegam-nos sempre nestas maravilhosas garrafas ovaladas e escuras, um design na verdade muito bonito. Na etiquetagem, uma informação precisa de tudo o que necessitamos saber sobre o líquido que vamos beber: a sua origem, composição pormenorizada, o seu grau alcoólico, e algumas pistas sobre a sua produção. Tudo inscrito de forma eficaz, mas a que não falta um toque de classe. É isso, esta cerveja é classe pura em todos os seus aspectos.
Referindo-nos mais especificamente ao líquido, este corresponde ao que anuncia o rótulo: uma porter elaborada segundo os cânones.
Quem gosta de porters - ou stouts - não passará indiferente por esta Old Style. Tem tudo o que se pede a uma cerveja deste estilo: o extraordinário colarinho persistente e de cor bronzeada, a fragrância a chocolates, o corpo escuríssimo a roçar o preto retinto. Depois, o sabor. Ah! A gula que o primeiro gole, fortíssimo de presença, nos deixa. É uma mistura de chocolates negros e cafés exóticos, numa mistura explosiva com carbonatação adequada, e uma suavidade quase extraordinária.
Quem vier à procura de uma Guinness desengane-se. Menos poderosa - o seu abv para nuns meros 5,1º contra uns bem mais expressivos 8º da sua universalmente conhecida “adversária” - é no entanto, e na minha opinião, mais marcante pela intensidade dos sabores. E quem conhece a Guinness sabe que já ela não é parca nesse aspecto.
Poderão alguns estar a perguntar-se porquê fazer uma comparação entre uma Porter e uma Stout. Mas na realidade, os estilos são muito semelhantes, pelo que não acho assim tão arriscada a comparação. Afinal, quantos não beberão a St. Peters Old Style Porter pensando estar na presença de uma Stout?

Enfim, uma Porter de cortar o fôlego pela qualidade e chorar por mais. Muito mais.

St. Peter’s Old Style Porter - **********


Cervejeira: St. Peter's Brewery Co Ltd, England

Vol/Alc: 5,1% Abv
Ano: 2008
Tipo: Porter
Copo: Pint Glass

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posted by VdeAlmeida at 7/07/2009 07:29:00 PM | 4 comments
sábado, 27 de Junho de 2009

Nem sempre as ausências têm uma explicação. São só porque sim. Preguiça, falta de motivação…tanta coisa. Mas falta de interesse pelo sujeito, isso não. A minha afeição pela celebrada bebida de malte, mantém-se incólume.
Por isso, e porque me parece que alguma motivação terá voltado, eis-me a reatar conversas deixadas em aberto.
Pelo meio, uma época de Natal pouco profícua em novidades, o que terá também contribuído para algum afastamento deste canto, e também, e até há pouco, uma regressão no mercado e um crash no computador, este último a fazer-me perder muitas das fotos de novas cervejas entretanto degustadas, algumas muito dignas de menção. Mas vão-se os anéis e ficam os dedos, e vou tentar recuperar algum do material (bom) experimentado.
Não sei se repararam, mas disse “até há pouco”. É que recentemente abriu uma excelente loja cervejeira no Algarve (poderão visitar o site - ainda em construção - em www.thebeerspotshop.com ) e após uma extensa conversa telefónica com o dono - ainda não tive oportunidade de lá me deslocar e a loja online ainda não está em funcionamento - parece-me que a coisa promete: mais de 100 cervejas em stock, mais cerca de 500 possíveis de ser encomendadas e outro material cervejeiro, como copos e conjuntos de garrafas/copos, é como que um sonho - dos muitos aficionados cervejeiros portugueses - tornado realidade.
Entretanto, este será um oásis num mercado no qual a crise parece fazer-se sentir com alguma acuidade, tal o número de importadores espanhóis que têm declarado falência, o que origina a escassez de novidades nos mercados português e espanhol. Não se pode dizer que o El Corte Inglês não tenha uma variedade de cervejas assinalável. Mas nos últimos meses as novidades são raríssimas, e mesmo na última feira da cerveja (ainda a decorrer) naquele espaço, não trouxe qualquer coisa de novo. E em Espanha a coisa não está melhor: a La Maison Belge fechou recentemente as franchises de Pamplona e Badalona.
Bom, mas deixemos as coisas tristes, e vamos então às novidades.
Uma das minhas “companhias” favoritas era a Maredsous 8. Nos últimos meses de 2008 foi talvez a cerveja que mais bebi. Contudo e lamentavelmente, a certa altura deixou de estar presente nos escaparates do ECI - o meu “fornecedor” mais habitual - e procurei outra cerveja que de algum modo se lhe assemelhasse. Recaiu a escolha, depois de algumas degustações, na Kasteel.
É realmente uma cerveja notável. Mais: uma cervejona, já que pujança não lhe falta - neste aspecto suplanta a Maredsous 8 (8ºAbv, claro) com os seus 11º de Abv - e presença no palato, também não.
É pois, uma “morena” de excelente presença, com sabor acentuado a passas, uma cerveja de corpo quase licoroso e complexo, a lembrar vagamente um bom vinho generoso.
Adiante-se que existem no ECI garrafas de 33cl e de 75cl, esta última muito propícia a confraternizações, mas, como diria o nosso saudoso Diácono Remédios: Com Cuidado. Que os 11º de Abv estão lá todos, e não são para brincadeiras.

Kasteel Brune - **********


Cervejeira: Brasserie Van Honsebrouck, Bélgica
Vol/Alc: 11% Abv
Ano: 2008
Tipo: Quuadruppel
Copo: Goblet

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posted by VdeAlmeida at 6/27/2009 07:21:00 PM | 10 comments
domingo, 21 de Dezembro de 2008
Cá estou eu de novo, após mais um interregno, inevitável só por causa da preguiça e do frio, que enregela os dedos e tira a vontade de dedilhar o teclado.
Mas suponho que volto bem, pese embora a minha vontade de vos falar de novidades natalícias em matéria cervejeira e não ter nada para vos oferecer. É verdade, não sei se devido à famigerada crise, aquelas belas cervejas de Natal que costumavam ter (tímida) aparição nos escaparates dos supermercados, desta vez nem cheiro delas, a não ser a inevitável Gordon Xmas, que embora de boa qualidade, não nos apaga a vontade de conhecer coisas novas.
Pois é, as cervejas de Natal costumam ser das melhores que as cervejeiras fazem, capazes de aquecer corpo e alma e luzir os olhos de satisfação, mas se quis alguma coisa de especial, tive que mandar vir de fora, e já há algum tempo.
Numa pequena encomenda que fiz à La Maison Belge lá vinham incluídas duas garrafas de 75 cl da La Chouffe N’Ice, a bela cerveja especial que a cervejeira LaChouffe faz para esta época especial.
Decidi-me a abrir uma há uns dias. Ao contrário de algumas outras cervejeiras que optam por rolhar a garrafa ao estilo champanhês, a AChouffe prefere o método tradicional cervejeiro, com a normalíssima tampa de lata. O rótulo, como é habitual na D'AChouffe, é divertido, com os anões adaptados ao tempo rigoroso do Natal, e as informações são as necessárias: tipo de cerveja, origem, componentes (curioso o uso de tomilho e curaçao), grau etílico e nada mais, como quem diz, “o resto, comprovem ao beber”.
E diga-se que vale bem a pena. Imponente e cremosa espuma que vai desaparecendo deixando laços no copo, e corpo de um castanho escuro e profundo.
Ao nariz, faz chegar um suave aroma a frutos secos, passas de uva e algum álcool que não retira o apetite de a degustar. Na boca, um cacharolete de sabores, muita fruta seca à mistura com indícios de maltes e chocolates, e um fim de boca muito persistente e adocicado com travos de especiarias. Sendo uma cerveja potente - apresenta uns respeitáveis 10º de Abv - nunca se torna agressiva, o que é raro numa cerveja deste tipo.
Em conclusão, poder-se-ia dizer que, por muito pobre que seja um Natal, a N’Ice decerto o enriquecerá sobremaneira. Uma cerveja que, como disse, aquece o corpo e a alma.
Devo dizer que há um grande debate sobre os tipos e sub-tipos de cerveja, e em muitos casos há algumas divergências na forma de catalogar algumas - por exemplo, não raro acontece estarmos a beber uma Porter julgando estarmos em presença de uma Stout, só conseguindo a diferenciação através da definição dada pelo rótulo - mas disso, e porque é um tema que acho muito interessante, falarei no próximo post. Contudo, e relativamente a esta, a confusão é impossível: trata-se mesmo de uma Belgian Dark Strong Ale, um dos meus tipos de cerveja preferidos.


N‘Ice Chouffe - **********


Cervejeira: Brasserie D’Achouffe, Bélgica
Vol/Alc: 10% Abv
Ano: 2008
Tipo: Belgian Dark Strong Ale
Copo: Goblet




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posted by VdeAlmeida at 12/21/2008 04:35:00 PM | 7 comments
domingo, 30 de Novembro de 2008
Há uns tempos atrás fizeram-me um reparo que, na altura, me pareceu merecedor de resposta rápida, mas que, e após meditação, até se tornou interessante e a valer alguma contestação às minhas próprias convicções.
A pergunta foi:
- Só bebes cervejas boas?
Esta questão encerrava em si várias questões:
- Classificas sempre favoravelmente as cervejas?
- As cervejas que bebes são todas boas?
- Omites as cervejas que consideras…menos interessantes?
Seria mais por esta última, a resposta então dada. Isto é, na altura considerava que às más cervejas não deveria fazer publicidade. Depois de reflexão, e como já disse, inflecti na opinião, embora na sua essência, continue a pensar que a resposta não é totalmente desadequada.
Como explicar? Por um lado há que ter em conta os gostos dos outros. As cervejas que possa considerar inadequadas ou desinteressantes, podem ser as “melhores do mundo” para outros amantes cervejeiros. Veja-se que não nutro grande apreço pelas macro-lagers e estas são seguramente as mais bebidas em todo o mundo. Trata-se então de uma questão de respeito para com o gosto alheio.
Por outro lado, e também por uma questão de respeito, haveria que referir as “tais” para que quem me lê pudesse ficar de sobreaviso. Em resumo, uma questão com duas vertentes opostas, mas paradoxalmente, com um desiderato comum.
Face às conclusões, resolvi a partir de hoje referenciar algumas das cervejas que, na minha opinião são negligenciáveis, e que, a serem degustadas por alguns de vós, tenho (quase) a certeza que não trarão grande felicidade a quem se sentir tentado por elas, a não ser que a companhia compense as lacunas das ditas (normalmente, os amigos compensam todas as lacunas)
Uma nota só: não esperem é descrições exaustivas, uma vez que não lhes encontro méritos que mereçam muitos trabalhos


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Começo por uma das tais macro-lagers daquelas que se fabricam um pouco por todo o mundo, esta feita em Marrocos. As virtudes dela…vagas. Pode-se dizer que se deixa beber com facilidade, que o seu ligeiro amargor a torna uma companhia razoável numa tarde de grande calor: Nada portanto que a distinga de centenas de outras lagers.
Casablanca - **********

Cervejeira: Brasserie du MarocVol/Alc: 5% Abv
Ano: 2007
Tipo: Macro-Lager
Copo: Stange ou Pilsner Glass



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Esta vem de Cuba e “rotulada“ de…forte.
Bom, para uns meros 5,4% Abv, penso exagerada a adjectivação, mas enfim, o pormenor não me parece importante, não fora ser ele utilizado no nome da própria cerveja. E quanto a virtudes, estamos conversados: as palavras que serviram para a Casablanca, servem para a Cubanero. Numa prova cega...não as distinguiria

Cubanero Fuerte - **********

Cervejeira: Cerveceria Bucanero, CubaVol/Alc: 5,4% Abv
Ano: 2007
Tipo: Macro-Lager
Copo: Stange ou Pilsner Glass


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posted by VdeAlmeida at 11/30/2008 09:49:00 PM | 5 comments
sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Não, não desisti de escrever sobre a minha bebida favorita. Não tem havido muita disponibilidade, mas é uma luta que não deixarei.
Vamos então a uma questão de que aqui queria falar:
- parece-me que já todos sabem que uma das minhas “manias” nesta coisa das cervejas, é a vontade que sempre tenho de experimentar cervejas que não conheça. Ora, alimentar tal hábito tem os seus inconvenientes e custos. Faço peregrinações periódicas aos sítios onde é mais fácil encontrar variedades razoáveis de cerveja - ECI, Jumbo, Delidelux - onde procuro sempre por novidades.
Mas o facto é que há algum tempo que o leque de ofertas se encontra esgotado, ou quase. Embora seja fiel a algumas - Rochefort Trappiste, Chimay Azul, Gordon’s Scotch Ale, La Trappe… - a verdade é que a sede por novidades é mais forte que eu, e nem algumas incursões a terras de “nuestros hermanos” que têm uma oferta mais diversificada que a nossa, mitiga os meus desejos. Foi assim que há uns tempos me aventurei nas compras online.
Às primeiras, e procurando exclusivamente cervejas belgas, fiz uma encomenda á Belgian Shop. A “aventura” correu…assim, assim. Algumas cervejas requisitadas estavam esgotadas, e o serviço demorou algum tempo. As cervejas acabaram por chegar e em bom estado, mas os portes pagos, por excessivos, encareceram-nas muito. Uns tempos depois, e porque quis diversificar um pouco, fiz uma encomenda á Cracked Kettle, uma excelente loja holandesa que tem uma invejável carta de cervejas: inglesas, americanas, escandinavas, belgas, holandesas, enfim, quase tudo o que um homem pode desejar. Rápido, eficiente e muito amável o serviço, tem porém o contra de se tornar, também graças aos portes, algo caro. Neste caso, obviamente que não se poderá assacar responsabilidades algumas á loja, uma vez que são problemas que não podem ultrapassar.
Por fim, há uns tempos atrás e durante uma visita a Barcelona que aqui relatei, soube na La Maison Belge que faziam envios para Portugal com portes idênticos aos praticados no território espanhol. A coisa agradou-me, e umas semanas atrás fiz uma encomenda que, no que diz respeito à La Maison Belge, correu às mil maravilhas: serviço atencioso, mesmo amigável, muito pronto e rápido. Os portes…suportáveis.
Tive também conhecimento de uma loja de cervejas online sedeada em Valência - EsTuCerveza -esta com cervejas de vários países. Como tinham algumas cervejas americanas que me interessavam muito, decidi-me a fazer uma encomenda. Resultado: tudo perfeito, eficiência, rapidez, atenção. Feito o pedido numa tarde de 2º feira, as desejadas cervejas estavam na minha posse e de perfeita saúde, na manhã de 5ª feira. E os portes…quase irrelevantes.
Posso portanto dizer que a minha experiência com estas lojas online tem sido positiva, sendo que as espanholas, até por uma questão de proximidade (e também de custos, obviamente), são as preferidas e fiquei cliente de ambas


Abominável? Não! Uma Stout Imperial, a Yeti - Americanas (3)


Que dizer desta cerveja da Great Divide Brewing Company? Que dizer de uma cerveja que nos “fica” na boca durante tempos infindos? Que tem uma presença forte? Pois, mas só isso é curto e injusto. Falar da sua Imperial personalidade? Também. Mas só?
Como sabem alguns, interessa-me saber as opiniões de outros, antes de me aventurar na degustação de uma cerveja, até porque, não tendo tido esse cuidado noutras alturas, já apanhei mais do que uma vez, grandes desilusões. Ora, quanto à Yeti, li uma observação muito curiosa: dizia alguém que, deitada no copo, a cerveja “cheirava” a dois passos de distância. Tal observação deixou-me a pulga atrás da orelha, mas achei um excesso “romântico” do provador. Uma cerveja de cheiro tão acentuado?
Pois ontem tive ocasião de comprovar a veracidade da afirmação. Escuríssima, a espuma - densa, cremosa, bege muito escura - forma-se só após totalmente vertida no copo, e permanece, teimosa, até ao fim da degustação.
O aroma, a torrados, cafés e chocolates, é intenso como já foi dito e o ambiente fica requintadamente perfumado.
Do sabor se dirá que é marcante, excepcional, uma mistura explosiva de cafés torrados e chocolates negros, especiarias e, porque não? um fundo de tabaco de cachimbo de excelente qualidade. Comparado com a Guinness, que, pela sua universalidade, geralmente serve de termo de comparação às stouts encorpadas, diria que a Yeti é menos agressivamente amarga e melhor balanceada. Perfeita.
Mas que melhor elogio se lhe poderá fazer que dizer que, tratando-se de uma cerveja robusta - 9,5%Abv - nunca durante a degustação essa força se faz notar?
E o aftertaste é qualquer coisa inexplicável, quase como aquelas pilhas que duram, duram, duram…Passadas 24 horas, parece-me sentir-lhe ainda a presença, e isso já quer dizer alguma coisa.


Yeti Russian Imperial Stout - **********

Cervejeira: Great Divide Brewing Company, USA
Vol/Alc: 9,5% Abv
Ano: 2008
Tipo: Russian Imperial Stout
Copo: Goblet




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posted by VdeAlmeida at 11/21/2008 07:26:00 PM | 1 comments
sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
Não, não é que tivesse dúvidas sobre as virtudes das cervejas da Brasserie D’Achouffe. Mas há sempre a tendência a torcer um bocado o nariz a todas aquelas coisas muito divulgadas, mesmo não sendo nós elitistas. E as La Chouffe, especialmente as McChouffe, estão um pouco por todo o lado (hipermercado, melhor dizendo) o que pode fazer com que o mais desatento a tome por um produto vulgar. Nada de mais falso.
Na verdade, de todas as cervejas da L'Achouffe que já bebi, não tenho a mínima censura a fazer a nenhuma. E esta Houblon Chouffe Dobbelen IPA Tripel (é esse o nome completo) não desmerece, antes pelo contrário.
Veio ela numa recente encomenda que fiz à excelente La Maison Belge (o copo da foto foi uma amável oferta do atento e simpático dono da loja), e vinha acompanhada, entre outras, de uma sua “irmã”, a La Chouffe N’Ice”, de que farei, brevemente, a apreciação que merece.
Confesso que me atraiu a sua apresentação álacre e bem disposta, o que fez com que resistisse muito pouco a prová-la.
Como se vê na foto, a espuma é super, cremosa, perene, alva, e o líquido, de uma bela cor alaranjada, bem a condizer com a “imagem” da garrafa.
Vertido no copo, os aromas soltos “dizem” da sua cor: alaranjados, limas e lúpulos - mencionados e bem no nome da cerveja - e uma carbonatação muito significativa. Frescura aguardada, portanto. E curiosamente, deixei-a refrescar um pouco mais do que o que desejava, mas a bebida aceitou bem a temperatura mais baixa.
De fermentação intensa, os sabores, lupulados e algo secos, são agradavelmente marcados pelos frutos frescos, mas deixam escapar uma levíssima adstringência.
O corpo é intenso, como se verifica, a deixar marca - afinal, 9%Abv são de levar em conta - mas o resultado final é um prazer proporcional ao tamanho da garrafa, e a desejar até que esta fosse um pouco maior.


Houblon Chouffe Dobbelen IPA Tripel - **********


Cervejeira: Brasserie D’Achouffe, Bélgica
Vol/Alc: 9% Abv
Ano: 2008
Tipo: Belgian IPA Trippel
Copo: Goblet



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posted by VdeAlmeida at 11/07/2008 07:01:00 PM | 3 comments
domingo, 2 de Novembro de 2008
Cada vez me contenho mais naquela velha inclinação que o ser humano tem em fazer juízos pré-concebidos. É uma fraqueza - universal - e é assim que o vejo, e como tentamos, penso eu, ser um pouco melhores a cada 24 horas, tento partir para cada nova “aventura” diária, de mente aberta (o que não quer dizer que o coração acompanhe, que isso já se pode tornar perigoso).
Pois uma das ideias feitas que ainda me restavam era a de que da Bélgica podemos esperar grandes “Strong Ales”, extraordinárias Trapistas, “difíceis” Flanders Red Ales ou mesmo frutadíssimas Lambis’s, mas…Stout’s? Ná, isso é obra de anglicanos ou nórdicos.
Puro engano! Embora seja um estilo de cerveja não muito “praticado” no “plat pays” de Brel, a verdade é que as têm. Não muitas, é certo, mas as que existem atingem bitola elevada.
Vem a introdução a propósito de uma cerveja que me chegou há pouco, que além da grande qualidade, exibe o nome próprio de um dos meus “heróis” da literatura policial, o celebrado Poirot.
A coisa não é inocente, afinal Hercule Poirot é também belga.
Mas deixemos as divagações e passemos à avaliação da Hercule. Trata-se pois de uma “russian imperial stout” de grande pujança: larguíssima gola cremosa cor de café com leite, corpo muito escuro, a soltar desde logo notas de café pelo ambiente.
Densa, de sabor extremamente marcado, esta cerveja da Brasserie Ellezelloise pode-se considerar um exemplo para todas as cervejas deste tipo. Equilíbrio perfeito: café e chocolate em proporções adequadas, levemente frutada, maltes na medida certa, e um grau etílico nada excessivo para uma imperial stout: 9%Abv.
De beber e querer mais.
De referir que mesmo a apresentação não é descurada (cuidado que nem sempre faz parte das prioridades dos produtores): garrafa escura com tampa não descartável, etiquetada de forma adequada, e descritiva o bastante para que se saiba o que temos pela frente.
Em resumo, uma Imperial Stout que se poderia dizer nascida das "célulasinhas cinzentas" da imortal criação de Agatha Christie.
Hercule Stout - **********


Cervejeira: Brasserie Ellezelloise, Belgium
Vol/Alc: 9% Abv
Ano: 2008
Tipo: Imperial Russian Stout
Copo: Goblet



Umas breves linhas para referir que
- a República da Cerveja abriu nova cervejaria, desta vez na zona mais nobre da cidade, entre o Rossio e os Restauradores, precisamente no largo contíguo à bela Estação do Rossio agora restaurada. Tenho estado á espera deste início de Novembro, altura em que se inicia o período da sazonal de “Natal”, para fazer a minha própria inauguração.
- reiniciei a minha relação com a La Maison Belge, a excelente loja de Barcelona, desta vez através da sua “Tienda Virtual”. Se já tinha ficado com uma bela impressão do dono, Cédric, um belga que, além de empreendedor e competente é simpático e atencioso quanto baste, desta só me restou confirmar as minhas opiniões. E a minha bieroteca ficou enriquecida com algumas belíssimas cervejas, que decerto irão “aquecer” o meu Inverno.
Cheers!

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posted by VdeAlmeida at 11/02/2008 11:33:00 AM | 4 comments