terça-feira, 15 de abril de 2008
As Ale, como já referi, são cervejas de fermentação alta - isto é, são fermentadas a temperaturas mais elevadas, e assim fermentam mais rápido que as lagers - e habitualmente são possuidoras de aromas e sabores mais marcados que as lagers, e a sua complexidade faz delas as preferidas de grande percentagem de amadores cervejeiros.Algo complexa também, é a sua divisão por categorias - facto que me faz dividir o post em duas edições - , sendo que algumas vezes os “experts” na matéria se dividem na catalogação de alguns exemplares. A título de exemplo, a célebre Bush Ambré, classificada habitualmente como Belgian Strong Ale (na rotulagem refere-se apenas que é a “belgian strongest ale”), era considerada pelo célebre guru cervejeiro Michael Jackson recentemente falecido, como Barley Wine, catalogação com a qual até nem discordo muito. De qualquer forma, e tratando-se este pequeno ensaio de um resumo do essencial para o principiante cervejeiro, far-se-á o possível por dar uma informação simplificada e acessível.
Os países mais pródigos em Ales são o Reino Unido e a Bélgica, embora a progressão deste tipo de cerveja noutros países se tenha vindo a acelerar notavelmente nas últimas décadas, e na actualidade a oferta de países como a França, Holanda, Estados Unidos e especialmente nos países Escandinavos é já, nuuns casos assinalável, noutros, mesmo extraordinária. A origem da palavra Ale é estritamente inglesa, e era usada para designar toda a cerveja, antes da introdução dos lúpulos no século XV, via Países Baixos.
Mas vamos aos vários tipos de Ales:
Pale Ale - Na sua feitura é usado um malte de cevada claro. É um dos tipos preferidos nos pubs ingleses, e o seu grau alcoólico é muito variável e o seu “fim de boca” pode ser marcadamente amargo. A Bass e a Fuller’s London Pride são dois excelentes exemplos deste tipo de cerveja.
Indian Pale Ale - De cor clara a acobreada e sabores marcados, são uma derivação das Pale Ale, mas com uma maior predominância de lúpulos que ajudam à sua conservação, que, quando foram criadas, era condição essencial para poderem enfrentar as longas viagens até às Índias (daí o nome) e aos distantes súbditos britânicos. Bons exemplos da IPA: Dark Star IPA, Young’s Special London Ale. Este tipo de cerveja, tem ainda algumas derivadas como a American Pale Ale (a Anchor Liberty Ale é é excelente exemplo), e a Double IPA, mais forte e mais carregada de lúpulos e maltes, carácter alcoólico bem acentuado, originária da West Coast. Exemplos: Hair of the Dog.
Belgian Ale - Neste caso o nome diz tudo. Belgas, naturalmente. A qualidade das ales belgas veio a aperfeiçoar-se ao longo dos séculos, e conseguem lugar de destaque no panorama cervejeiro universal, no século XX. Bem distintas das inglesas, a sua diversidade é grande. Normalmente, o equilíbrio de aromas e sabores é essencial, tal como a sua complexidade que estabelece a qualidade da bebida. O teor alcoólico é moderado. Este é um retrato muito resumido de uma belgian ale que no entanto, deriva numa extensa lista de sub-tipos, com grandes afinidades, mas também com grandes diferenças, entre si, e de que darei conta em nota á parte. Bons exemplos: Duvel, De Konnink, Palm.
Kolsch - Kolsch é uma espécie de zona demarcada à volta de Koln, na Alemanha, e só as cervejeiras dessa zona são autorizadas a utilizar tal designação. Muito claras e cristalinas, têm um bouquet muito fresco e uma efervescência acentuada. Porém, é um tipo de cerveja delicado e pouco aconselhável ao armazenamento prolongado. Exemplos: Reissdorf Kolsch, Gaffel Kolsch, Ramsdorfer Kolsch.
Altbier - E se as Kolsch são de uma zona delimitada de Koln, as Alt são produto de Dusseldorf (por tal facto, por vezes são também designadas por Dussel), embora já existam alt’s de outras proveniências. É um género de pale ale, e ao contrário das kolsch, dá-se bem com o armazenamento, por isso, por vezes, o seu envelhecimento em cascos De sabor requintado e aromas frutados, é uma cerveja normalmente muito equilibrada. Bons exemplos: Schumacher Alt, Schlosser Alt.
Irish Red Ale - As ruivas irlandesas, são cervejas de sabor ligeiramente adocicado, os lúpulos e maltes usados são suaves, pelo que se tornam cervejas “fáceis” de beber, embora haja a tendência para as servirem demasiado frescas, o que lhes “queima” sabores. Exemplos: Kilkenny, Beamish.
Etiquetas: Ale (1)
posted by Vic at 4/15/2008 03:59:00 p.m.
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