Ruivas, Louras & Morenas

quinta-feira, 15 de julho de 2010
Apesar de muito atraso - para ser exacto, há muito que não participava nesta interessante iniciativa - achei extremamente aliciante o desafio lançado no mês passado na Ronda Cervejeira, e decidi participar, mesmo que o seu iniciador já tenha feito um resumo dos textos dos nossos compagnons de route que nela participaram.
O tema era a viagem cervejeira de sonho, independente da disponibilidade financeira de cada um.
Claro que a não existir esse “pequeno” óbice, a viagem perfeita seria, na opinião de muitos, uma quase volta ao mundo. Embora, naturalmente, haja sítios a evitar.
A cervejaria brasileira, tal como a americana, parece estar em plena ebulição, embora talvez por uma maior capacidade financeira, a americana apareça nos dias de hoje muito destacada. Depois, há a iniciativa. E quer gostemos mais ou menos dos americanos, nessa vertente são quase imbatíveis. Há cerca de ano e meio, tive conhecimento que um pequeno mas conhecido bar do Maine, o Ebenezer’s Pub, conseguiu que os manos Struise - na actualidade provavelmente os mais inovadores cervejeiros belgas - os fornecessem com a maravilhosa Black Albert de barril. Portanto, eles não se contentam em fazer coisas novas, querem coisas novas (e boas) feitas noutros pontos do globo (e não será esta a melhor forma de aprender?).
Aqui chegados, duas opções: ou uma viagem através do Brasil, em busca das suas micro-cervejeiras, ou uma subida de Los Angeles a Seattle, em busca do muito que de bom aí se faz.
Mas não, a minha escolha seria mais conservadora, e a opção, essa sim, a definitiva, iria partir de Barcelona, e iniciaria uma busca pelas novas micros catalãs, onde não poderia faltar, naturalmente, a Ca L'Arenys para experimentar a Guineu Riner na origem.
Depois, subiria França, que para muitos estará longe de ser um paraíso cervejeiro, mas para mim tem o encanto muito especial das suas biéres de garde, até chegar ao céu cervejeiro a Bélgica, pedaço de terra tão pequeno mas tão superpovoado de pequenas cervejeiras, a maior parte delas autoras de pérolas difíceis de igualar.
Obviamente, a orgia cervejeira teria que passar obrigatoriamente por, pelo menos 3 sítios na terra de Brel: a Abbaye de Sint-Sixtus, local de feitura da melhor cerveja do mundo, a Struise Browerij (onde quer que eles estejam)*, um fenómeno de criatividade e competência, e o Kulminator, talvez o melhor bar de cervejas do mundo, em Antuérpia.
É mais que evidente, a viagem seria longa e com grandes paragens. Ninguém bebe duas ou três Westvleteren e sai a conduzir. E levar alguém para servir de motorista e obrigado a ser abstémico em lugares destes, seria uma crueldade de que sou incapaz.
Muito haveria a dizer sobre uma tal viagem, mas corro o perigo de me tornar enfadonho: poderia dizer que, estando na Bélgica, seria imperdoável não ir ao Delirium, em Bruxelas, mas parece-me bem mais interessante o bar de Antuérpia. E sendo o território tão acanhado, uma passagem por Bruges, nem que fosse só pela maravilhosa cidade que é, mas aproveitando-se - já agora - para beber umas Brugse Zot, uma das minhas cervejas preferidas, sejam as “louras” ou as “morenas”.
Quem sabe, se o tempo permitisse, não fosse má ideia subir um pouco mais acima e trazer umas recordações nórdicas da sempre bem fornecida Cracked Kettle, em Amsterdam.

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posted by Vic at 7/15/2010 07:49:00 da tarde |


1 Comments:


At 15 de julho de 2010 às 23:25, Blogger barbas

Belo itinerário. Já que podemos sonhar, acrescentava:

- a Itália, onde as micros estão a ter uma explosão apreciável e os "maestri birrari" têm uma capacidade de inovação acima da média (cerveja de alfarroba, anyone?)

- a Dinamarca, outro bastião das micros e onde se poderão encontrar as cervejas mais americanas da Europa (há alguns anos isto não era um elogio...)

- A Nova Zelândia, onde pela qualidade da matéria-prima, começam a despontar algumas cervejas dignas de registo