domingo, 11 de novembro de 2007

Uma vez perguntou ao monge encarregado de uma das brasseries trapistas, a que se devia a qualidade daquelas cervejas, e o inquirido respondeu simplesmente que "talvez à paciência beneditina”.
E paciência, ou antes, tranquilidade é o que se deve ter para degustar estes líquidos com a atenção que eles merecem, tal a sua complexidade. Diria que merecem, que todos os nossos sentidos nelas se concentrem, para que as assimilemos na sua plenitude.
Esta Westmalle que hoje trago, a dubbel, é um dos tais produtos que enchem as medidas pela sua densidade. Por vezes interroga-se o menos conhecedor e habitual consumidor das “lagers”, leves como plumas, porque é que os monges, tão frugais nas comidas, se dedicaram á confecção de bebidas tão compactas. Resposta fácil: precisamente para compensar as severas dietas. A cerveja era considerada “o pão líquido” , e a não ser como são, dizia ainda a monástica figura “há muito os trapistas teriam sucumbido”. E realmente, para quem as provas, parece difícil conseguir sobreviver, sem, de vez em quando, voltar a elas.
Esta trapista da Abadia de Malle, morena de belos reflexos rosados e mousse exuberante e medianamente duradoura, exala aromas a caramelo e lúpulo. Na boca, tem uma presença “dry”, com o lúpulo também aqui bem presente, e a “presença” é vigorosa, com notas caramelizadas e citrínicas (laranja, talvez).
Acima de tudo, uma cerveja muito equilibrada, da qual não se detecta qualquer sinal de álcool, que, no entanto, está bem presente - não sendo das mais “poderosas” trapistas, mesmo assim, o seu Abv ultrapassa ligeiramente os 7º.
Ah, e vem muito bem apresentado, na sua garrafinha arredondada, de rótulo igualmente agradável e informativo.
Uma daquelas cervejas que nunca devem faltar numa bieroteca (será um neologismo?) que se preze.


Etiquetas: Westmalle Dubbell