Ruivas, Louras & Morenas

sexta-feira, 28 de março de 2008
O clima anda estranho. Manda-nos em Fevereiro para a praia de calções e t-shirt, quando noutras eras nos aconselhava a serra da Estrela e as lãs. Em contrapartida, em Agosto estamos agora sujeitos a inundações ou a que neve no Alentejo.
Mas por muitas rasteiras que nos pregue, parece que ainda há certas zonas do nosso relógio biológico que não se deixam “levar”. E é assim que, como é hábito nos fins de Março, começa-me a chamar o corpo para a beira-mar e frescuras a condizer.
Foi por isso que passando uma vista de olhos pela “bieroteca”, não resisti ao apelo desta Kriek da Timmerman. Peguei-lhe, meti-a no frigorífico e pensei no que haveria de a acompanhar.
Decidi-me por um queijo de Seia, um serra meio-curado, ainda capaz de se barrar no pão, que ao caso foi uma excelente baguete rústica que o Corte Inglês costuma fazer - embora parcimoniosamente - e que, bem cozido como é hábito neles, estala a cada dentada. Pão guloso, este. E o queijo não o era menos.
Em relação á cerveja, já me confessei nada preconceituoso. É por isso que não ostracizo estas lambics, como alguns extremistas da cerveja “pura” fazem. Sabem-me bem frescas no ponto, seja a Kriek, seja a Framboise, passando pela Faro.
Foi uma coincidência, mas o certo é que tendo referido a acidez da anterior cerveja aqui descrita, a Earthmonk, não podia deixar de a referir também nesta, embora na circunstância, ela se misture convenientemente com o alegre adocicado da cereja. Podemos pois dizer que se trata de uma cerveja agridoce, como aquele prato de suíno que se come tantas vezes nos restaurantes chineses(?).
Sem uma espuma digna de reparo, apresenta aromas muito agradáveis à fruta que lhe está na origem, e uma bela cor rosada a condizer. O sabor não poderia ser outro. Há quem aponte a esta cerveja o “pecado” de ser demasiado comercial. Mas eu penso que a comercialização só estraga aquilo que na sua génese já não é bom. E esta cerveja da cervejeira Timmermans é bem boa dentro do seu estilo.
Timmermans Kriek Lambic - **********

Cervejeira: Timmermans-John Martin N.V.
Vol/Alc: 5,0% Abv
Ano: 2007
Tipo: Lambic
Copo: witte beer


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posted by Vic at 3/28/2008 10:02:00 da manhã |


6 Comments:


At 29 de março de 2008 às 10:40, Blogger Chela

Buen post. Me gusta el fondo de la fotografía. Por alguna razón trajo a mi mente imágenes de Alfama, de los paseos bajo el sol, de un plato de "lulas" en un pequeño bar, de las cervezas tomadas en ese bello barrio mirando la ciudad a nuestros pies. Siempre me pasa con Lisboa, tengo eterna "saudade" de ella, es una ciudad que siempre me hace querer volver.Como dice el refrán "A distância traz a saudade, nunca o esquecimento..."

Lambic. Original y única forma de hacer cerveza. Mucha gente como bien dices, la denosta y otros la olvidan al hacer referencia a los tipos de fermentación. La fermentación espontánea es tan importante como las demás.Para mi como asturiano, me recuerda en cierta manera a la sidra-tanto por elaboración, como en ciertos sutiles sabores. Mi preferida es la Gueze, esa fantástica mezcla de lambic nueva y vieja. Los matices agridulces,las notas del cereal y la madera me parecen sensacionales. Especialmente me gusta la de St. Louis, por sus expresividad aunque la gueze de Timmerman's es notable.

Te gustan las Faro? Lindemmans es un gran productor de Faro.Tras unos meses declarados en bankrupcy y con el cierre echado, Moorgat se ha hecho con ella y parece ser que el creador de la fantástica Duvel,va a continuar con la producción de una cerveza que sería muy triste que desapareciera.

En cuanto a las lambic de fruta decir que me encantan como acompañamiento de postres.Especialmente tartas de cremas, tartas de queso y frutas e incluso con requesón y queso fresco. Voy a hacer la prueba con un queso semicurado, como recomiendas, acompañandolo de una Bell-vue Kriek(la tienes en Corte Inglés seguro), una de mis favoritas en este estílo.Un abrazo

 

At 31 de março de 2008 às 15:27, Blogger Chela

Amigo Vitor, contesto aquí tu pregunt a sobre la feria de Productos Europeos en el Corte Inglés. Por lo general suele hacerse a mediados de Abril, una semana antes de la temporada de primavera pero eso sólo en los sitios que consulté de Asturias y Madrid. Desafortunadamente de Badajoz no tuve respuesta alguna. De todas maneras estate atento a esta "ligaçao":
http://www.elcorteingles.es/corporativo
/promociones/promociones.asp


Si la feria es como la del año pasado, llegan cosas muy interesantes, especialmente británicas y alemanas, aunque hay alguna oferta belga buena. Ahora bien lo mejor es poder disfrutar de los Overstock de dicha feria donde los precios bajan y se consiguen ofertas desde 40 centimos.Pero eso ya es más dificil de calcular porque no tienen fecha fija para hacerlo, es un poco dependiendo del stock y del tiempo que esté parado dicho stock en el almacen. Un abrazo

 

At 2 de abril de 2008 às 22:25, Blogger Joana

Boa noite! Peço desculpa pelo atrevimento de me “sentar à mesa” de verdadeiros conhecedores como vós. De facto, nada de relevante tenho a dizer sobre o tema da cerveja mas estou à procura de informação e pensei... devo tentar que quem domina e gosta de escrever sobre o tema me ilumine. Sou aluna do 3º ano de Publicidade e, no âmbito do ‘Seminário sobre Empreendedorismo’, foi-me pedido para criar um projecto de negócio. Partindo da ideia de que as duas principais marcas nacionais são lagers, (espero não estar em erro) e que existem as ales por explorar pensei em criar uma loja especializada em cerveja, com uma selecção de cervejas de vários países. Esta loja é apenas “virtual” mas tenho de assegurar que seria viável em termos práticos. Assim, terei de contactar com importadores ou fornecedores para saber se é possível ter as cervejas na minha loja. Este ponto está a mostrar-se complicado e assume-se quase como um ponto final para esta primeira ideia de negócio. Se tivesse disponibilidade e pelo que li por aqui, iria a Badajoz (outro motivo que me incentivou a escrever foi a identificação que senti ao ler sobre Espanha, para onde irei estudar no próximo ano). Voltando à cerveja, o que estou a pensar fazer é ir a bares que comercializem cerveja e apelar a que me dêem algum contacto de fornecedores, sabendo porém que é algo difícil de conseguir porque, como de resto compreendo, existem reticências em relação a revelar pormenores da actividade, pois este tem o segredo no lugar da alma... Não serei concorrência, mas caso materializasse o meu projecto um prescritor como o dono do blog seria uma garantia para o negócio. Agradecendo desde já a atenção cedida a esta conversa toda, queria então pedir uma luz, uma sugestão para conseguir ter a cerveja estrangeira em Portugal. Obrigada pelos bons textos que tive oportunidade de ler, melhores cumprimentos,
Joana Pires

 

At 3 de abril de 2008 às 15:06, Blogger VdeAlmeida

Amigo Chela, antes do mais, os meus agradecimentos quanto à questão das feiras do El Corte Inglês. Creio que por cá, irá haver uma em Junho/Julho.
Mas este fim de semana vou a Sevilha, e talvez tenha sorte de encontrar lá algumas novidades.
E de certeza que farei uma visita à Cerveceria Internacional.
Quanto ao fundo da fotografia, pois tenho a sorte de viver num sítio da cidade muito pacato e antigo. Não é Alfama, mas é a Madragoa, e de manhã, quando abro a janela, a primeira coisa que vejo lá ao fundo é o rio.
Agora as cervejas: também aprecio as Lambic, e a Faro da Timmermans agrada-me muito. Ainda não escrevi aqui as minhas opiniões sobre ela, mas em breve o farei. Os próximos posts serão sobre cervejas "leves" e lá estará então a Faro. Quanto ás Gueuze, nunca tive a sorte de degusutar nenhuma, mas não faltará muito (também aprecio a Kriek da Belle-Vue, claro).

Um abraço

 

At 3 de abril de 2008 às 15:30, Blogger VdeAlmeida

Oá Joana,

É um prazer receber á "mesa" uma senhora, pois claro. Até porque é um acontecimento raro, mas muito gratificante.
Agora sobre a tua ideia:
É curioso que também já tive uma ideia parecida, no entanto a minha não teria a tua vertente académica, mas sim uma perspectiva de negócio real. Mas até hoje não passou de um esboço, até porque ainda não houve tempo para fazer uma delineação estruturada da ideia, o que não quer dizer que não possa avançar futuramente, embora tenha pensado numa loja onde, além da cerveja estrangeira em garrafa, se venderiam algumas à pressão.
De qualquer forma, e como denuncias, as coisas não são muito fáceis. A prospecção de mercado, que não sei se alguma vez foi feita, é capaz de não dar sinais muito animadores. Como referes, as lagers têm quase um monopólio, e Portugal é um país de bebedores de minis (detesto minis), e que não vejo a dar mais de 2 euros por uma cerveja, a não ser uma ou outra vez por curiosidade.
A matéria tem muito que se lhe diga, mas se quiseres, podes sempre escrever-me para o mail do blog, beer2007@etcabo.pt, e eu ajudarei com o (o pouco) que sei.
Mas adianto-te duas ou três dicas: a ida a Badajoz não te trará quaisquer benefícios, porque lá só encontrarás alguma variedade de cerveja no El Corte Inglês, e naturalmente que aí não te darão informações que te possam interessar. Pelo contrário, em Sevilha - que não fica assim tão mais longe - encontras a Cervejaria Internacional, que tem uma variedade muito interessante de cervejas, e aí talvez o dono te possa dar algumas sugestões, embora tenhas que ter em consideração, que a realidade espanhola é bem diferente da nossa.
Em Madrid e Barcelona, há cervejarias excelentemente fornecidas, mas claro que a distância é um obstáculo, e como referi, a realidade é outra.
Outra ideia que tive, foi a de um dia pedir um franchising da Maison Belge, que já se encontra presente em Barcelona (podes visitar o site deles em http://www.lamaisonbelge.com/ )
Bem, muito mais haveria a dizer que este assunto dá pano para mangas.
Se tiveres dúvidas, é só dizeres. É um prazer ajudar
Cumprimentos

 

At 4 de abril de 2008 às 09:00, Blogger VdeAlmeida

E já agora Joana, uma sugestão:
Não sei se moras em Lisboa ou no Porto. se a resposta for afirmativa, tenta deslocar-te a um dos Corte Inglês e vai até ao escaparate de cervejas estrangeiras. Algumas delas têm um pequeno rótulo branco com o nome da firma importadora e o respectivo número telefónico. São telefones directos para as pessoas que fazem as importações eles próprios, e vão-te atender e com toda a certeza te irão dar informações preciosas.