Ruivas, Louras & Morenas

terça-feira, 13 de maio de 2008

Este espaço perfaz hoje precisamente um ano.
É verdade, o tempo corre célere, parece que foi ontem e, no entanto, umas dezenas de cervejas foram apreciadas com mais ou menos agrado final, mas sempre com enorme prazer, o prazer que resulta de fazermos aquilo de que gostamos.
E eu gosto desta maravilhosa bebida. E, mais que isso, gosto de partilhar com os outros este meu gosto. Tanto assim é que mesmo na degustação aprecio muito mais fazê-la acompanhado, a estar sozinho.
Mas voltando ao início, já lá vão 366 dias, e verifico com surpresa que nunca tinha deixado aqui notas sobre uma das minhas cervejas preferidas: a Orval.
A Orval é mais uma daquelas abençoadas filhas do génio trapista. A minha primeira lembrança da Orval vem de uma maravilhosa estadia na mais bela cidade do mundo, Paris. Vem das minhas deambulações pelos caminhos estreitos de Montmartre e da fantasia dourada e chic da avenue Montagne. Vem da 1ª vez que vi aquela garrafinha ligeiramente bojuda e quase despida de rótulos, numa prateleira por detrás de um balcão de mármore desgastado de uma velha brasserie na Rive Gauche, muito perto dos Deux Magots, que é o melhor sítio do mundo para passar simplesmente o tempo, ou ver “flanar” o parisiense ou o turista.
Lembro-me de, na altura, pensar que a cerveja já ali estaria há tanto tempo, que o rótulo principal teria caído, mas para minha surpresa, quando pedi uma, lá vinha ela, garrafa bonita mas austera de informação, de um só pequeno rótulo ao pescoço. Lá vem nomeada a origem, a temperatura aconselhável para consumo, o grau etílico - 6,2º Abv - e o prazo de validade (2012, cinco anos após o engarrafamento), e nada mais.
Porquê esta tão exígua informação, perguntei-me? A resposta veio pronta, a própria cerveja explicou. Estava ali tudo, naquele liquido alaranjado e turvo, encimado de generosa gola branca e cremosa, que foi deixando rasto nas paredes do copo durante a degustação.
Lembro-me que, ao vê-la assim esplêndia, pensei então que se o aroma e sabores correspondessem ao aspecto, tudo seria perfeito. Os aromas corresponderam, tons florais à mistura com muita fruta fresca. O sabor…bom, esse é bem redondo na boca, com maçãs, caramelo e especiarias. E aqueles maltes...têm qualquer coisa de especial. A carbonatação é a ideal neste tipo de cerveja e o final muito suave, o que torna a degustação uma experiência a repetir…sempre que possível.
Mais, tem consigo aquele balanço que a faz ideal, quer para acompanhar uma refeição, quer para ser consumida a solo.
O nome da abadia, tem vem da sua localização, o Vallée d’Or, cujo deriva de uma lenda da idade média. Situada nas Ardenas, tornou-se recato dos monges desde 1070, o que dá bem ideia das suas remotas origens. Ah! a sabedoria feita da experiência de séculos, consegue maravilhas...
Não foi de propósito, mas creio ter escolhido uma excelente cerveja para comemorar este 1º aniversário.
Cheers!


Cervejeira: Abbaye Trappiste d’Orval, Bélgica
Vol/Alc: 6,2% Abv
Ano: 2007
Tipo: Belgian Pale Ale/ Strong Ale
Copo: Goblet/Cálice



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posted by Vic at 5/13/2008 09:48:00 da tarde |


6 Comments:


At 14 de maio de 2008 às 20:58, Blogger rodrigo

Meu caro, parabens pelo 1 aniversário. Vida longa ao blog, de preferência, com muitas cervejas mais.
abraço

 

At 15 de maio de 2008 às 16:11, Blogger Chela

Felicidades por tu aniversario, espero que sigas muchos más dandonos alegrías y buenas referencias a cerca de nuestra bebida favorita.

Orval, la trucha y el anillo....Me gusta Orval,especialmente como sobremesa o para acompañar postres. No es mi trapense favorita pero se trata de una cerveza única en el mundo. En ninguna otra pude apreciar esos aromas y sabores a canela que tan sutilmente envuelven el trago. Hoy mismo tengo reunión extraoficial con mis amigos de CAAC.Es decir vamos a tomar unas cervezas por la ciudad antes de mi partida hacia Sevilla. Voy a brindar con Orval a la salud tuya y de tu blog. Abrazu.
P.S- A Sevilla voy por unos exámenes de funcionariado y tendré poco tiempo para poder hacer turismo.Sin embargo visitaré la Internacional donde voy a probar esa tapa de queso y nueces que tan bien recomendaste. Eso sí, acompañandola de unas Samuel Smith imperial stout y no de una Achel jejejejejejeje

 

At 15 de maio de 2008 às 19:14, Blogger galvao99

Parabens pelo aniversário, de um blog que deve ser uma referência da blogosfera: boa apresentação, um bom gosto raro e opiniões equilibradas e apetitosas. Espero que possas continuar a oferecer-nos tudo isto por muitos anos.

E, claro, fundamental para quem gosta das Belgas :)

 

At 16 de maio de 2008 às 06:51, Blogger feijão

Caro almeida

Sabes sobre minha admiração em sua nobre forma de escrever, e quando venho a este blog, ler sobre cerveja e escrito de forma tão sutil não parece que pelo menos 364 dias do ano passei por aqui e li tudo.
Parabéns e que a cada ano a evolução cervejeira aumente, e espero que venha ao Brasil nos prestigiar, sucesso.

 

At 18 de maio de 2008 às 23:03, Blogger Edson Costa

Parabéns ao blog e ao criador é claro!
Espero que continues por muitos anos a brindar-nos com os teus excelentes textos, porque afinal ainda há muita cerveja para provar...
Um abraço!

 

At 19 de maio de 2008 às 14:32, Blogger VdeAlmeida

Agradeço-vos a constância da vossa presença, sem o que este espaço não faria sentido.
E para além disso, por partilharem comigo esta paixão.
Abraço a todos vocês