terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Bom, eu até entendo que as “imperiais” devem ter alguma/bastante gaseificação, agora generalizar a todas as cervejas a questão é que já me parece uma valente asneira. Na verdade, não me imagino a beber uma Trappist cheio de gás. Mas admito que por cá ainda fazem cátedra uma série de preconceitos acerca da cerveja. Ele é o gás, que deve ser muito, ele é o servir quase gelado, ele é o sucesso que fazem algumas casas que servem a “imperial” em copos previamente gelados - suprema heresia - e decerto mais algumas normas que não tenho presente, entre as quais, honra nos seja feita, uma que vigora muito no Brasil, e que é a de chamar de “ladrão” ao dono do boteco que se atreve a servir um chope com “colarinho”.
Vem isto a propósito da cerveja aqui apresentada, a “Biére du Boucanier”. loura da Flandres de Este, e que faria decerto as delícias daquele meu ocasional vizinho de cervejaria. Ao contrário de algumas suas compatriotas, esta é exuberante em carbonatação, em espuma e…em teor alcoólico.
Trata-se de uma “belgian strong golden ale”, muito à imagem da Duvel, bela cor dourada, bastante encorpada e bem generosa de aromas e sabores. A tal graduação alcoólica é bem detectável, mas de forma suave, e por detrás de notas de citrinos o que lhe transmite uma aparência refrescante. Que não desmente no sabor. Neste, sobressaem novamente os frutados, e o lúpulo a impor presença, embora não seja, de todo, uma cerveja de final amargo.
Trata-se, enfim, de uma cerveja muito agradável, plena de notas refrescantes, embora não seja de desdenhar o seu consumo mesmo no Inverno. É daquelas que puxa outra logo a seguir, mas a precaução é aconselhada, porque a presença acentuada de álcool - 11º de Abv - não é uma mera indicação no rótulo.

