Ruivas, Louras & Morenas

terça-feira, 8 de abril de 2008
Já aqui referi o cuidado que os ingleses põem na apresentação das suas cervejas, e esta Bishops Finger é um belíssimo exemplo dessa hábito de “fazer, mas fazer bem”. Face a uma garrafa desta cerveja, o que quase apetece - um exagero - dizer é que só a garrafa vale o dinheiro, tal o requinte.
Bom, mas a cerveja propriamente dita, também tem que se lhe diga porque não é daquelas que se bebe por beber.
Se a espuma, avara, se esgota num ápice, já o corpo cristalino não passa desapercebido, na sua cor bronzeada, que lhe advém, segundo os cervejeiros do Kent, do malte exclusivo produzido na sua quinta de Denne Hill e ao lúpulo dourado do East Kent.
Trata-se de uma strong bitter, o que só por si já é quase uma garantia de presença de odores marcadamente maltados . O que é comprovadamente verdade. De sabores, poder-se-á dizer, que são intensos e os característicos a este tipo de cervejas: lúpulo em quantidade a emprestar-lhe aquele amargor tão ao gosto dos amadores cervejeiros, maltes e frutas frescas, bastantes para satisfazer um palato exigente. E o tal amargo final permanece, muito para além do tempo da prova. Do álcool, nem “cheiro”. Mas está lá.
Voltando novamente à apresentação: o momento de nos desfazermos da garrafa, agora vazia, será certamente o único momento quase doloroso da experiência.


Bishops Finger - **********



Cervejeira: Shepherd Neame, Kent, UK
Vol/Alc: 5,4% Abv
Ano: 2007
Tipo: Strong Bitter
Copo: Bitter Glass


A Cerveja para Principiantes (2)


Prosseguindo neste pequeno passeio pelo mundo da cerveja, e uma vez que referi que as cervejas se dividem em duas grandes famílias, deveria agora iniciar a descrição resumida de cada sub-tipo de lagers ou ales. Mas não. Decidi-me a iniciar este capítulo com um tipo de cervejas que se mantém fora da catalogação referida, as Lambic, em primeiro lugar porque se crê ter sido o primeiro de todos os tipos de fermentação a ser utilizado, naturalmente, e depois, porque tem sido uma variedade de cerveja com na qual, ultimamente, tenho andado bastante interessado.
Ao contrário das lagers ou ales, nas quais são usados meios de fermentação cuidados, as Lambic sofrem uma fermentação espontânea, expostas que são aos fermentos e bactérias selvagens do vale do Senne, onde se localiza Bruxelas, e de onde são exclusivas. Li algures que os produtores destas cervejas evitam manipular os fungos ou varrer teias de aranha que naturalmente se instalam nas suas tulhas de fermentação, pois tal iria alterar o sabor das suas cervejas. Bom, imagino que por cá, estes cervejeiros já teriam entrado em guerra aberta com a ASAE.
Este tipo de fermentação atribui, naturalmente, sabores distintos às cervejas. São geralmente muito aromáticas, “secas”, e algo licorosas, devido á quantidade de açucares apresentados. O gosto que permanece é normalmente um pouco ácido.
Mas as Lambic não são todas iguais. Também elas se subdividem: existem as Puras (Unblended), Gueuze, as Faro e as Fruit.
As Puras, são aquilo que o nome indica - não têm quaisquer adições - e bastante raras.
As Gueuze resultam da mistura de lambics novas e velhas (2/3 anos) . Geralmente pasteurizadas, passam por um período de envelhecimento o que lhes confere qualidades acrescidas e que as aproxima de um bom champagne. Infelizmente para mim, o meu conhecimento das Unblended e das Gueuze é meramente empírico, uma vez que não tive até hoje oportunidade de as experimentar. Exemplos de gueuze: Cantillon, Frank Boon.
As Faro são lambics às quais são adicionadas açúcares. Muito agradáveis, constituem-se como bons aperitivos, mas dado o seu carácter adocicado, um salgado para acompanhar, aconselha-se. Conheço a Faro da Timmermans e da Lindemans. Ambas muito agradáveis.
Às Fruit Lambic são adicionadas frutas, normalmente cerejas ácidas (denominadas Kriek), framboesas (Framboise ou Frambozen), pêssego (Peche ou Pecheresse), havendo outras variedades embora bem menos divulgadas. Depois, são envelhecidas em barris, por tempo variável, segundo o produtor. Dado o seu carácter adocicado e leve, são excelentes cervejas para acompanhar sobremesas. Aprecio sobremaneira a Mort Subite Framboise, a Lindemas Frambozen, a Timmermans Kriek, a Lindemas Pecheresse ou a BellVue Kriek.
Outras referências são as cervejas fabricadas pela De Troch, Girardin ou a 3 Fonteinen.


De referir, para terminar, que as Lambics são normalmente cervejas de baixo teor alcoólico, raramente ultrapassando os 5% de Abv, facto que aliado ao seu natural adocicado, as torna muito populares entre as senhoras.

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posted by Vic at 4/08/2008 10:19:00 da manhã |


2 Comments:


At 8 de abril de 2008 às 22:20, Blogger JC

Levo isto mtº a sério: até estou a copiar para o disco para guardar...
Obrigado
JC

 

At 11 de abril de 2008 às 13:50, Blogger VdeAlmeida

Meu caro JC
Fico satisfeito por poder ser útil

VP