Ruivas, Louras & Morenas

sexta-feira, 11 de abril de 2008
Faço hoje um intervalo nas “cervejas de Verão” para abordar uma de tipo bem diferente, a Achel Brune.
Já aqui a tinha abordado, embora de forma ligeira, aquando de uma viagem a Madrid, onde me foi dada a oportunidade de saborear este produto superior da engenharia cervejeira dos monges trapistas. Esta origem, a de ser trapista, é só por si, uma garantia de estarmos em presença de um super produto, tal a qualidade que os monges cervejeiros imprimem ao que lhes sai das mãos e da sabedoria secular.
E eu não escondo nem renego a minha devoção a este tipo de cerveja.
Esta Achel - a menos conhecida das 6 trapistas - foi servida com um queijo amanteigado muito semelhante as nosso queijo da Serra mas recheado de nozes, e degustada com vagar ao balcão da minha cervejaria preferida em Sevilha, a Cerveceria Internacional, que aqui já referi.
A minha predilecção pela cervejaria é fundada não só na grande variedade de cervejas que exibe, mas também na simpatia do dono que dá sempre dois dedos de conversa, na qual embrulha por vezes alguma informação útil, e desta não faltou com ela, embora não tenha sido a melhor. É que eu procurava as apreciadas cervejas dos Melbourne Bros, e ele informou-me que o importador madrileno que as trazia para terras dos nossos vizinhos, tinha fechado portas. O que perspectiva uma longa seca em relação ás desejadas cervejas. Mas adiante…
A Achel Brune, é o que se pode chamar de cerveja completa: espuma alva e mediana (há quem não dispense, ou mesmo considere indispensável uma boa “gola”, eu sei), corpo de castanho escuro com reflexos rubi, denso, profundo, de aroma marcadamente doce, a frutos secos, sultanas, e um leve aflorar de álcool, que não lhe retira sedução. O sabor, esse é muito complexo: maltes e frutados em sintonia, uma densidade licorosa, e um after taste persistente, tão pujante que se sobrepôs mesmo ao do queijo, já de si bem activo.
Trata-se portanto, de uma aventura a repetir, nem que para isso se tenha que viajar longe, porque esta Achel Brune merece-o.


Achel Brune - **********


Cervejeira: Brouwerij der St.Benedictus - Abdij de Achelse, Belgiuum
Vol/Alc: 8,0% Abv
Ano: 2007
Tipo: Trappist Ale (Dubbel)
Copo: Globet


A Cerveja para Principiantes (3)


As Lagers (1) -
As Lagers, originárias do centro da Europa, constituem um dos grandes grupos de cervejas, e, fora de dúvida, as mais divulgadas em todo o mundo. Creio mesmo não me enganar muito, se afirmar que para o comum do consumidor o universo cervejeiro se resume às lagers.
Geralmente, as lagers-tipo apresentam-se com espuma generosa, gaseificação elevada, corpo dourado e cristalino, boa presença de lúpulo e uma relativamente baixa graduação alcoólica. E ressalvo o “geralmente”, porque as lagers se dividem em vários tipos, alguns deles bastante diferentes deste retrato robot. Contudo, e como a distinção entre algumas variedades é tão pequena que por vezes só se fazem algumas distinções por capricho de experts, exporei somente aquelas que me parecem relevantes. Portanto vejamos:
Pilsner - Porventura a mais divulgada das cervejas. Original da República Checa, é imitada por todo o mundo, sendo que um dos produtos checos de grande qualidade, a Budweiser, viu mesmo o nome ser-lhe usurpado por uma macro-cervejeira norte-americana, que vende por todo o mundo uma bebida chamada Bud, a que apelidam de “cerveja”, o que só serve para confundir os incautos, e dar mau nome à nobre bebida. Mas voltando às verdadeiras pilsner, estas apresentam as características que mencionei para a generalidade das lagers. Bons exemplos: Budweiser Budvar, Pilsner Urquel, Bitburger Premium Pils.
Bock - Bock em alemão quer dizer cabra, e as suas origens são tão antigas, que mesmo a sua designação envolve muitas dúvidas. É uma cerveja mais escura que a pilsner devido à maior inclusão de maltes que lhe conferem também uma maior suavidade, de sabor mais acentuado e maior grau alcoólico. As Bock têm ainda sub-tipos, como as Doppelbock e as Eisbock, distintas nos processos de laboração. Exemplos: Aass Bock, Amstel Herfstbock, Brick Bock, Dock Street Iluminator, Kaltenberg Ritterbock.
American Style Lager - Uma derivada das celebradas pilsner, mas nitidamente mais clara e com menos corpo. Muita vezes o arroz entra na sua composição e o lúpulo presente é quase nulo. Miller e Bud são os nomes mais conhecidos deste tipo.
Dunkel - É uma cerveja tradicional da região de Munique, muito escura, com um sabor suave e acentuado em maltes próprios da região e que são responsáveis pela sua coloração. O teor alcoólico é médio. È sem dúvida, um dos meus tipos preferidos. Exemplos a considerar: Weltenburger Kloster Barock-Dunkel, Erdinger Dunkel, Steiner Ur-Dunkel.
Marzen - Trata-se de uma “pale lager” mais forte, destinada a assinalar o fim da época cervejeira, em fins de Março, e tendo em vista os meses seguintes. São muitas as cervejeiras a fazerem a sua “marzen”, pelo que referiur exemplos é difícil, mas destacaria as marzen da Ayinger ou da Paulaner, esta tendo em vista até a sua divulgação por cá.
Oktoberfest - A festa de Outubro de Munich é assinalada por esta cerveja, que é especialmente confeccionada para o efeito pelas grandes cervejeiras da região, como a Lowenbrau, a Spaten, Hofbrauhau, Thomas Kemper Oktoberfest.
Schwarzbier - Ou Cerveja Negra. Esta cerveja, também ela tipicamente alemã, é muito escura e com fortes sabores a café e a chocolates. Como as Dunkel a sua cor é-lhes transmitida pelos maltes utilizados na sua feitura, e o seu grau alcoólico é mediano. Extremamente agradáveis, poder-se-iam confundir com porters ou stout, não tendo contudo o vigor destas. A experimentar: Koztritzer, Wurzburger Hofbrau Schwarzbier, Schweizer Steiger.
Rauchbier - Estas cervejas de Bamberg (Alemanha), fumadas (rauch), são muito apreciadas ou…detestadas. O “fumo” é utilizado para secar o malte, que é exposto perto de fogueiras ou lareiras, processo que as torna únicas, e que aprecio particularmente. São disso exemplo a Aecht Schelenkerla Rauchbier,
Steam Beers - Esta é uma cerveja originária da Califórnia, e o seu nome deriva do facto de no seu processo de elaboração se utilizar uma temperatura mais elevada na fermentação, do que aquela que é usada habitualmente nas lagers. A não perder: Anchor Steam Beer (aliás, foi esta cervejeira que registou o “Steam”, pelo que as concorrentes se denominam de California Commons).


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posted by Vic at 4/11/2008 02:53:00 da tarde |


6 Comments:


At 11 de abril de 2008 às 22:55, Blogger JC

De acordo: a Bud é um refresco, mas um agradável refresco...

 

At 12 de abril de 2008 às 15:56, Blogger Rodrigo

Você deve ter passado sem perceber, mas a Erdinger é uma hefeweiss dunkel e portanto é uma cerveja de trigo que é ale e não lager. Só um comentário para esclarecer para os que estão aprendendo.

 

At 12 de abril de 2008 às 17:23, Blogger Chela

Amigo de Almeida buen reportaje como siempre.La Achel no es mi cerveza favorita trapense, la encuentro un punto sosa y otro punto dulce pero, sin duda no deja de ser una cerveza muy recomendable.

Sobre la guía... Es un buen trabajo el que estás realizando y más importante de lo que puede parecer en un principio con lo que te doy la enhorabuena y te animo a que sigas adelante. Ahora bien debido precisamente a esta importancia me gustaría, con tu permiso, hacer una serie de apuntes para esclarecer ciertos conceptos que no están del todo claros.

Pilsen/Pilsener- Sólo existe una cerveza en el mundo que puede denominarse así: Pilsner Urquell o como los Checos la denominan Plzeňský Prazdroj.Fue la primera lager clara del mundo;aparaeció en 1842 cuando el maestro cervecero joseph Grolle, combinando los tiempos de tostado dió con la temperatura que daba el color que sólo unos pocos años después, se haría tan popular. El nombre quedó registrado y sólo se puede llamar pilsener a esta cerveza.El resto de ellas son lagers tipo pilsener o tipo pils( como se definen ciertas lager alemanas, holandesas y belgas). Por otro lado se caracteríza por una mayor sequedad proveniente de la mayor concentración de lúpulos. Budvar, la que usas para ilustrar el capítulo es una lager, como podrás leer en su etiqueta, pero no una pilsener.

Bock.- En ocasiones el hecho de que exista en alemán y en holandés la misma palabra para definir al carnero lleva a confusión y a identificaciones, en ocasiones erroneas(se me viene a la cabeza la extraordinaria Leute Bok que no tiene nada que ver con el este estílo). En la ciudad de Einbeck, cerca de Hannover, se producía este tipo de cerveza, caracterizado como bien dices por una guarda más prolongada, una mayor cantidad de maltas y lúpulos y un abv mayor.Los intercambios comerciales de la liga Hanseática y Bavaria hicieron que esta cerveza llegara a Munich y demás ciudades del sur donde se hizo muy popular y donde era pedida como " Einbock bier" en lugar de "Einbeck bier" debido a la pronunciación más cerrada de las vocales que el dialecto del sur tiene.La derivación y el uso dió en llamar bock a este tipo de lagers.

Marzen y oktoberfest-también llamada fest bier- son dos estilo que se superponen y las diferencias entre ellas no estan muy definidas siendo en algunos casos el mismo tipo de lager.Lo que si está claro, de todas formas, es que ninguna destaca por ser "pale".Son cervezas que se hacían en marzo-antes de la llegada de la refrigeración eléctrica era el último mes en el que se podía hacer cerveza debido al clima- y son guardadas y acondicionadas durante todo el verano para poder beberlas a partir de septiembre.De nuevo más malta, más alcohol y más lúpulo y un afinado generoso que producía el largo acondicionamiento en cuevas dando como resultado una cerveza entre dorada oscura y ámbar de sabor inconfundible.

las Dunkel son típicas de Sur Alemania como bien dices, pero tenemos que añadir que el uso de este término se extendió por todo el país para hacer referencia a las lager oscuras- que no negras- en contraposición a las lager claras(helles).Como apelativo hace referencia a todo tipo de cerveza oscura de ahí quizás la confunsión con la Erdinger Dunkel que si bien es oscura tambien hay que añadir que es una cerveza, como dice Rodrigo, de trigo de fermentación alta.

Te repito la enhorabuena por tan edificante y desinteresado trabajo, te reitero los ánimos y reincido en la importancia que tiene para la cultura cerveza esto que estás haciendo.
Un abrazo

Haya Salud

 

At 14 de abril de 2008 às 14:12, Blogger VdeAlmeida

Meu caro JC

Para refresco, prefiro mesmo um sumo natural.
A Bud é a responsável por alguns amigos de cerveja ainda olharem de lado para as cervejas americanas (injustamente)
abraço

 

At 14 de abril de 2008 às 14:14, Blogger VdeAlmeida

Tem toda a razão, Rodrigo, e desde já agradeço a correcção :-). Queria falar da Paulaner salvator e saiu-me a Erdinger
Grato pela visita

 

At 14 de abril de 2008 às 15:17, Blogger VdeAlmeida

Amigo Chela

Agradeço muito o incentivo. Isto, é algo que faço com muito gosto, porque num país de vinho, seria muito gratificante conseguir "converter" meia dúzia de pessoas à nobre cerveja. Ou ao menos, conseguir que algumas, vejam a cerveja com olhos diferentes e se interessem pelo menos, em ir conhecendo algumas das tantas variedades da bebida, e não pensarem que "a cerveja é aquela bebida amarelada, ligeiramente amarga e alcoólica".
Quanto ao resto, agradeço todas as ajudas que possas tu (e outros) dar. Quero no entanto frisar, que quando pensei em fazer este pequeno resumo, foi meu propósito fazê-lo mesmo bastante resumido, já que penso que fornecer uma quantidade de informação ao mresmo tempo, ao principiante, poderia tornar os posts excessivamente grandes e maçadores (precisamente por causa da excessiva informação) o que se poderia tornar desmotivante.
Agora, quanto aos reparos: quando referi as pilsner, referia-me naturalmente ao tipo pils. Relativamente à Budvar, tens razão. Mas Lager é uma classificação muito abrangente, e alguns "experts" classificam-na como tipo pils, outros como golden lager. Não encontro grandes diferenças, por isso a classifiquei como pilsner.
De resto, e como já referi, todos os contributos são preciosos, e os teus, como grande conhecedor, mais ainda. E eu agradeço
Cheers!

Abraço