Ruivas, Louras & Morenas

terça-feira, 29 de julho de 2008
Como já relatei, durante uns dias ausentei-me para um recanto deste nosso país, daqueles onde parece que o tempo parou, pelo menos há umas décadas. Ali, pouca gente ouviu falar na rede, e chega a parecer anedótico verificar, que na própria sede do concelho, ali a uma dezena de quilómetros, não se encontra um hot-spot sequer, onde se possa aceder aos sítios. Nossos e dos nossos amigos. Leitura de blogs em atraso portanto.
Mas que diabo, uma licença sabática por vezes aconselha-se, e esta serviu para dar umas voltas às minhas notas e verifiquei que ainda não tinha editado as minhas impressões sobre umas boas três dezenas de cervejas, entretanto anotadas. Injustiça. Porque algumas delas são bem dignas de atenção.
Pode-se dizer que não há cervejas más? Talvez. Acho que se a companhia for boa, a má cerveja acaba por se tornar menos desagradável, ou pelo menos o momento, suaviza-nos o espírito crítico, e acabamos por olhá-la com alguma bonomia.
Mas, no que me diz respeito, e deixando de parte as circunstâncias de cada cerveja, penso poder dizer que há cervejas más, razoáveis, boas, excelentes e memoráveis. Das más, claro que não reza a história, e como já tenho referido, abstenho-me, o mais das vezes, de as classificar.
Não é o caso da Bavaria 8.6, uma cerveja holandesa que reputo de muito razoável.
É curioso o panorama cervejeiro holandês. Exceptuando as maravilhosas La Trappe, da abadia de Koningshoeven, pouco mais nos chega das terras baixas (a Heinneken será holandesa?) Isto apesar da reconhecida qualidade de muitas das cervejas elaboradas nas suas micro cervejeiras ainda sobreviventes, das quais a T’Ij é só um exemplo.
Esta Bavaria constitui uma das excepções. Boa, diria eu, porque merecemos, nós, os eternos adoradores da (por vezes) efervescente bebida, que destas cervejas nos cheguem. A primeira vez que encontrei esta holandesa, vinha num pack de 4 garrafas de 33 cl, acompanhadas do respectivo copo, uma tulipa, por sinal muito parecida com o da Gordon Finest Scotch ou Finest Gold.
Vertida no copo, deparou-se-me uma “gola” moderada, alva, e que se ia deixando ficar pelas paredes do copo. De corpo bronzeado e forte carbonatação, os aromas a frutas frescas e a maltes são acentuados, e o sabor torrado agradável, sem atingir, porém, o típico tostado das porters, das quais, aliás, esta cerveja se distancia e muito, que afinal, trata-se de uma lager. Muito encorpada - os 7,9 de Abv, que alardeia no rótulo têm absoluta correspondência na sua robustez - é uma cerveja que se bebe facilmente, mesmo em tardes suadas.
Uma cerveja adequada para acompanhar um bom queijo picante, como o de Castelo Branco.
Uma nota final para referir que os comentários que vim lendo na net sobre esta cerveja, não são muito abonatórios. Critica-se-lhe muitas vezes o adocicado excessivo. Sabe-se que este “truque” é muitas vezes utilizado para encobrir o teor alcoólico. Não concordo com este ponto de vista. Não sendo uma cerveja excepcional, ao menos, é honesta.
Aliás, muitas vezes discordo das qualificações expostas na RateBeer ou na BeerAdvocate - os mais populares sites de classificação de cerveja na net - nos quais me parece quase sempre presente, um certo tipo de proteccionismo das cervejas yankees em relação às do velho continente, excepção feita a algumas incontornáveis inglesas ou belgas.



Bavaria 8.6 - **********





Cervejeira: Bavaria Brouwerij N.V.
Vol/Alc: 7,9% Abv
Ano: 2007
Tipo: Strong Lager
Copo: Tulipa




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posted by Vic at 7/29/2008 10:55:00 da manhã |


2 Comments:


At 6 de agosto de 2008 às 18:03, Blogger JC

Ora aí está um bom tema, cervejas e queijos! Venha daí uma dissertação.

 

At 20 de agosto de 2008 às 19:45, Blogger VdeAlmeida

Vou responder ao desafio!
Abraço