Ora aí está uma cerveja que nunca passará despercebida, principalmente se for servida no seu quase inacreditável copo. Quem se deparar com ela assim servida, e for medianamente curioso, decerto quererá saber o porquê do insólito objecto.Quem pensar que é obra do capricho de algum excêntrico, engana-se. Atrás de si, há uma história.
Pauwel Kwak, cuja assinatura aparece gravada no copo, era um cervejeiro dós princípios do século XIX, estabelecido em De Hoorn, e a sua cervejeira era diariamente visitada por um número considerável de diligências de viajantes sequiosos, e que faziam questão de aí matar a sede. Aos respectivos cocheiros, porém, naquela época estava vedado o abandono da carruagem. Ora, a tal situação, decidiu Pauwel tentar obviar de algum modo. E assim foi criado um copo que pudesse ser “encaixado” á diligência, de forma semelhante à com que se encaixa hoje no seu curioso “pedestal”. Que também terá a sua história. Consta que foi criado dessa forma, para que os cocheiros não tivessem que descalçar as luvas - o clima da região é agreste - daí a pega em madeira.
O que posso afirmar também, é que alguns, pouco precavidos com o insólito copo, e respectiva pega, têm, não raras vezes, sido surpreendidos com um indesejado banho de cerveja. Cuidado pois com a 1ª experiência.
Mas para além das curiosidades - até aquela do som que a cerveja faz ao cair no copo, e que se assemelha muito ao “kwak” do nome - a cerveja, outra da Cervejeira Bosteels, é de qualidade assinalável.
Trata-se de uma Belgian Strong Ale, de muita e cremosa espuma, e cor amarelo/acobreado e corpo firme, servido por uma notável carbonatação, que lhe transmite uma facilidade de ingestão tremenda. É uma cerveja…gulosa, e que carece de cuidado, porque os 8%Abv não perdoam.
De aroma franco a maçãs e maltes e especiarias, com sabores a condizer, e que permanece no palato de forma assinalável, embora seja uma cerveja muito “macia”.
Portanto, e como se verifica, da Cervejeira Bosteels só vêm produtos de qualidade.
Cervejeira: Brouwerij Bosteels, Buggenhout, Bélgica
Vol/Alc: 8% Abv
Ano: 2007
Tipo: Belgian Strong Ale
Copo: Kwak Glass
A Cerveja para Principiantes (7) - Os copos
Já aqui falei, logo nos primórdios do blog, da importância do copo na apreciação da cerveja, mas volto hoje a ela, uma vez que se trata de um aspecto que considero importante, e porque os tenho diferenciado nas mais recentes apreciações de cerveja que aqui tenho exposto.
Se é verdade que uma boa cerveja saberá bem em qualquer copo, não o é menos, que a degustação em copo próprio acrescenta alguma coisa ao prazer da degustação. Depois, é também verdade que, sendo as características dos vários tipos de cerveja bem diferentes, óbvio se torna constatar que o copo para cada um dos estilos deverá ter um formato apropriado a acentuar-lhe as virtudes. Afinal, ninguém bebe champanhe num púcaro, ou leite numa “flûte”.
Assim, a seguir se mencionam alguns dos tipos de copos mais habituais, e o tipo de cerveja que cada um melhor servirá:
- Pilsner glass - Esguio o suficiente para conter a espuma e a dar ênfase às gaseificações das cervejas a que se adequa: Pilsner, plis ou tipo pilsner, doppelbock, euro lager, dark lager, Vienna lagger.
Pint Glass - O típico copo inglês, o mais usado nos pubs, e que deve, por lei, conter exactamente um “pint” de cerveja, mais a respectiva espuma. Cervejas a que serve:Bitter, Red Ale, Baltic Porter, Brown Ale, English Pale Ale, Indian Pale Ale, English Porter, English Stout, Irish Red Ale, Milk Stout, Scotch Ale, Oatmeal Ale, Old Ale, Saison/Farmhouse Ale
Weizen Glass - A cerveja de trigo, deverá sempre ser servida neste copo de meio litro, adequado a conter as exuberantes espumas e a apreciar devidamente a riqueza do “corpo” deste tipo de cervejas. Aliás, geralmente as próprias cervejas são vendidas em garrafas com essa capacidade. E são:Wheat beer, Dunkelweizen, Hefeweizen, Kristalweizen,
Goblet, ou Cálice - Apropriado a grande parte das mais nobres das cervejas
, este tipo de copo, resulta na maior parte das vezes num regalo para a vista, uma vez que o esmero que os fabricantes põem na sua feitura, está ao nível das cervejas a que se destina: Abbey Ale, Belgian Pale Ale, Belgian Dark Ale, Trappist Ale.
Cálice (fechado) - Outro copo de que costumam aparecer belos exemplares. Muito semelhantes aos usados na degustação de cognac ou whisky - na Bélgica são mesmo usados modelos pequenos, em sessões de degustação - o formato deste copo é o ideal para reter aromas, especialmente das: Barley Wine, Belgian Strong Dark Ale, Flemish Red Ale, Russian Imperial Stout, Tripel.
Tulipa - Usados em cervejas de espumas intensas - daí o alargar do bordo - a verdade é que o próprio formato, as estimulam, ao mesmo tempo que lhes avivam os “espíritos” e as espectaculares carbonatações. Servem bem a maior parte das cervejas referidas para os dois tipos anteriores, até porque os copos não diferem muito entre si, como se verifica.
Caneca (ou Mug) - Usada especialmente por quem quer beber…muito. Das mais variadas formas e tamanhos, de vidro ou de porcelana, o certo é que levam sempre cerveja bastante. Habitual nas grandes festas da cerveja alemãs, são habitualmente recipiente para cervejas leves e arejadas, mas também são muitas vezes usadas para outras cervejas mais compactas, especialmente stouts e rauchbiers, quando servidas muito frescas, uma vez que as canecas, quando de porcelana, retêm muito bem as baixas temperaturas da bebida.
Flûte - Destinado às cervejas de características “champanhesas“, dispersa
rapidamente as substâncias voláteis, realçando assim os aromas, ao mesmo tempo que oferece a excelente visão da intensa gaseificação deste tipo de cervejas. Como por exemplo as: Biére de Champagne/Brut, Pilsner, Lambic, Gueuze, Faro, Eisbock, Dortmunder lager.
Notas finais:
- Normalmente, as cervejeiras vendem (ou oferecem) copos adequados às cervejas por si produzidas. No entanto, algumas têm mais que um tipo de copo à disposição, pelo que esta utilização de copos não obedece naturalmente a regras rígidas. Já vi lambics servidas, quer em “tulipas”, em “flûtes”, ou mesmo em copo parecidos com os comuns de vinho (iguais aos da witbier da Hoeggarden”).





